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Uma querida amiga me contou de haver lido em algum
lugar uma carta escrita pela escritora Lygia Fagundes Telles a Erico
Veríssimo. Ela começava assim: "meu querido amigo. E que grande privilégio é
ter alguém a quem se possa chamar `meu querido amigo!" Ela tem toda razão.
Desde que ouvi isso as cartas que troquei com essa minha amiga sempre
começavam desse mesmo jeito.
Como já adiantei, tenho algumas pessoas a quem posso chamar de amigos
queridos e por isso me sinto uma pessoa rica, privilegiada, grandemente
abençoada. Mas depois que a gente casa, depois que vêm os filhos, o tempo
disponível para passar com amigos se reduz bastante. O silêncio mútuo pode
me fazer correr o terrível risco de esquecer das bênçãos de que sou alvo.
Gosto muito deste excerto de Ellen White: "O calor da verdadeira amizade, o
amor que liga coração a coração, é um antegozo das alegrias do Céu" (Ciência
do Bom Viver, p. 360). Assim, para entender o tipo de alegrias e delícias
que viveremos eternamente no Céu, é preciso ter amizades sinceras. Se,
contudo, não temos tempo para os amigos, não podemos ficar perto deles,
olhar em seus olhos, ficar em silêncio ao lado deles, se não temos espaço
para falar de coisas mínimas com eles e se perdemos o hábito de trocar
confidências de todo tipo, estamos perdendo contato com a atmosfera reinante
no Céu. Por passar muito tempo longe do antegozo do Céu, acabamos nos
desabituando a ele. Ficamos cada vez mais estrangeiros daquela realidade e
cada vez mais cidadãos das coisas passageiras, escuras, frias e mortais
deste mundo aqui.
Amigos são lembretes daquela outra realidade, mais alta, que Deus plantou no
meu caminho para que eu pudesse ter esperança. Lembretes devem ser lidos.
Essas coisas devem ser lembradas. Porque gente sem esperança não vive, só
sobrevive. E não sabe.
Aos poucos vamos recuperando o equilíbrio, sabendo encontrar tempo para os
lembretes, sendo lembretes para eles também. Aos poucos vamos recuperando a
capacidade de ouvir neles a voz de Deus e pedindo a habilidade de sermos a
voz de Deus para outros, recuperando coisas negligenciadas sem abrir mão das
coisas imprescindíveis que a vida nos coloca no colo.
Essa sabedoria pedimos a Deus. Depois, claro, de agradecer pelos lembretes
maravilhosos que inventou apenas para que ainda que tivéssemos razões para o
improvável sorriso.
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Colaboração de
Marco Aurélio
Brasil |