Dia - 03

 

 
 
Uma querida amiga me contou de haver lido em algum lugar uma carta escrita pela escritora Lygia Fagundes Telles a Erico Veríssimo. Ela começava assim: "meu querido amigo. E que grande privilégio é ter alguém a quem se possa chamar `meu querido amigo!" Ela tem toda razão. Desde que ouvi isso as cartas que troquei com essa minha amiga sempre começavam desse mesmo jeito.

Como já adiantei, tenho algumas pessoas a quem posso chamar de amigos queridos e por isso me sinto uma pessoa rica, privilegiada, grandemente abençoada. Mas depois que a gente casa, depois que vêm os filhos, o tempo disponível para passar com amigos se reduz bastante. O silêncio mútuo pode me fazer correr o terrível risco de esquecer das bênçãos de que sou alvo.

Gosto muito deste excerto de Ellen White: "O calor da verdadeira amizade, o amor que liga coração a coração, é um antegozo das alegrias do Céu" (Ciência do Bom Viver, p. 360). Assim, para entender o tipo de alegrias e delícias que viveremos eternamente no Céu, é preciso ter amizades sinceras. Se, contudo, não temos tempo para os amigos, não podemos ficar perto deles, olhar em seus olhos, ficar em silêncio ao lado deles, se não temos espaço para falar de coisas mínimas com eles e se perdemos o hábito de trocar confidências de todo tipo, estamos perdendo contato com a atmosfera reinante no Céu. Por passar muito tempo longe do antegozo do Céu, acabamos nos desabituando a ele. Ficamos cada vez mais estrangeiros daquela realidade e cada vez mais cidadãos das coisas passageiras, escuras, frias e mortais deste mundo aqui.

Amigos são lembretes daquela outra realidade, mais alta, que Deus plantou no meu caminho para que eu pudesse ter esperança. Lembretes devem ser lidos. Essas coisas devem ser lembradas. Porque gente sem esperança não vive, só sobrevive. E não sabe.

Aos poucos vamos recuperando o equilíbrio, sabendo encontrar tempo para os lembretes, sendo lembretes para eles também. Aos poucos vamos recuperando a capacidade de ouvir neles a voz de Deus e pedindo a habilidade de sermos a voz de Deus para outros, recuperando coisas negligenciadas sem abrir mão das coisas imprescindíveis que a vida nos coloca no colo.

Essa sabedoria pedimos a Deus. Depois, claro, de agradecer pelos lembretes maravilhosos que inventou apenas para que ainda que tivéssemos razões para o improvável sorriso.

 

Colaboração de Marco Aurélio Brasil

 

 






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