|
No livro “O Peque no
Príncipe” há um diálogo entre a Raposa e o Principezinho, ela lhe diz:
__ Só conhecemos bem
o que cativamos.
__ Os homens não têm
mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas
não existem “lojas de amigos”.
__ Se tu queres ser
meu amigo, cativa-me!
__ Que é preciso
fazer? Pergunta o principezinho.
__ É preciso ser
paciente- respondeu a raposa – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de
mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás
nada... mas, cada dia, te sentarás mais perto. É melhor voltares todos os
dias à mesma hora. Se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de
preparar o coração... É preciso ter ritos..
__ O que é um rito? –
perguntou o principezinho.
__ É uma coisa muito
esquecida também... É o que faz com que um dia seja diferente dos outros
dias, uma hora, das outras horas. São os ritos que criam laços...
__ O que é “criar
laços”?
__ Se eu não tenho
necessidade de ti, e tu não necessitas de mim, não haverá “laços” entre nós.
Não passo a teus olhos de uma raposa igual a todas as outras raposas. Mas,
se tu me cativas, terás a necessidade de ter “ritos” e estes criarão “laços”
entre nós, farão que tu tenhas necessidade de mim. Nós teremos necessidade
um do outro. Serás para mim, o ÚNICO no mundo e eu serei para ti a única no
mundo.
Teresa d´Ávila diz
que oração nada mais é do que a história de uma amizade, com aquele que
sabemos que nos ama. A oração liga-se ao amor. Amor de amizade.
Terezinha do Menino
Jesus diz que oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao
céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da
alegria.
A oração é a história
de um amor de amizade que tem necessidade imperiosa de encontro a sós com
quem nós sabemos amados. E é desse encontro a sós que nasce toda a força
para o apostolado (missão, ensino), porque a oração-amizade abre-se à vida,
a tudo que a ela se relaciona.
Quanto mais se vive a
sós com o Senhor, mais se vive com o próximo. Quanto mais se vive a sós com
o Senhor, mais desenvolvemos a capacidade de respeitar o próximo. Essa
amizade vai criando laços que cada dia se tornam mais fortes, dando lugar a
uma intimidade que nos faz perceber o Senhor em tudo e em todos, e essa
constante presença do Senhor é fonte de alegria e paz.
Toda verdadeira
“oração-amizade” é autobiográfica, por isso mesmo cada pessoa tem o jeito de
orar, isto é, tem seu modo particular de falar com Deus, numa simplicidade
que nasce da intimidade, da confiança, da entrega.
Essa intimidade, essa
confiança, essa entrega vai acontecendo lentamente, requer permanência e
paciência.
Filha (o) à medida
que esses “laços” forem sendo tecidos, ninguém os poderá romper, a
intimidade irá crescendo.
Na intimidade, a
gente gosta de estar a sós com o amigo, pois não é tudo que se diz a todos.
Por isso a verdadeira
oração é autobiográfica: eu falo a Deus das minhas coisas, da minha vida. A
verdadeira oração nasce do coração de cada pessoa.
O que importa é a
linguagem do coração. Se você sabe amar, também saberá orar.
Ninguém penetra, é um
momento só Deus e eu: “Entra no teu quarto e fecha a porta e ora a teu Pai
em segredo”.
Todos nós precisamos
de momentos a sós com o Pai, para conversar, para se reabastecer e depois
enfrentar as multidões.
Filha (o), tu amas ao
Senhor?
Filha (o), tu amas ao
Senhor?
Filha (o), tu amas ao
Senhor mais do que estes?
É só isso que o
Senhor quer saber. E como muitos de nós nem sabem bem se realmente o ama, o
melhor é responder como Pedro: “Senhor, tu sabes tudo, sabes também que eu
te amo”.
Amas como és, com
tuas fraquezas, com tua pequenez, defeitos, limitações, mas queres amá-Lo, o
resto ele mesmo irá completando: “Aquele que iniciou em vós esta obra
excelente – o desejar amar – lhe dará o acabamento, até o dia do Cristo
Jesus”. Isto é, até o fim de nossa vida.
Filhinha (o) esta
intimidade expande a nossa visão, nós conseguimos ver além das meras
aparências, na profundidade e significado das coisas, não apenas em relação
a nós mesmos, mas ao todo do qual fazemos parte. Este é o caminho do
verdadeiro auto-conhecimento e por isto o verdadeiro auto-conhecimento é
idêntico à verdadeira humildade. A oração abre para uma forma preciosa de
conhecimento. Este conhecimento que se transforma em sabedoria, uma vez que
saibamos, não mais por análises e definições, mas por participação na vida e
Espírito de Cristo.
“Pela quietude no
espírito nos movemos em direção ao oceano de Deus. Se tivermos a coragem de
sairmos da beira-mar, não fracassaremos”.
Shalom Adonai!
Regina Lopes
reginabrazlopes@uol.com.br
www.reginabrazlopes.blog.uol.com.br |